segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Pedágio eletrônico terá bônus para difundir novo modelo de cobrança

Pedágio na Imigrantes, que leva ao litoral sul paulista, onde há cabines de
 cobrança automática
Quando dirige seu carro pela rodovia dos Bandeirantes, saindo de São Paulo em direção a Indaiatuba (a 98 km da capital), Rosely Uehara, 58, sempre fica tensa no quilometro 26 da via. "Vai abrir ou não vai? Vai abrir ou não vai?", pensa. Diante da recusa da cancela do pedágio eletrônico em liberar sua passagem, Rosely admite: "Xingo muito! Pago sempre o meu plano em dia, e o pedágio não reconhece meu dispositivo."
Já para o motorista da Uber Marlon Luz, 36, que leva passageiros entre São Paulo e Barueri, o uso do sistema automático nos pedágios é essencial. "Se cada vez que eu passar tiver que parar nas cabines manuais, é tempo e dinheiro que eu perco."
Independentemente da experiência dos motoristas, o pagamento eletrônico de pedágios deve ficar cada vez mais presente. Incentivar este modelo, inclusive dando desconto, é uma das estratégias do governo Geraldo Alckmin (PSDB) para difundir o chamado pedágio Ponto a Ponto.
Na prática, futuramente as concessionárias poderão ampliar postos de controle de veículos ao longo de uma estrada (ou em suas entradas) e cobrar de maneira mais específica pelo trecho de deslocamento dos motoristas. A adoção do modelo é controversa, principalmente em manchas urbanas.
BÔNUS
A difusão de praças de pedágio e os valores cobrados –chegam a R$ 25,60 para carros de passeio na Anchieta e Imigrantes– se tornaram pedra no sapato de gestões tucanas em São Paulo nas últimas duas décadas, alvo de desgaste em sucessivas eleições.
O uso do sistema automático de cobrança –implantado em São Paulo em 2000– passou a ser em 2011 a forma predominante de pagamento de pedágio no Estado.
Desde 2014, porém, o meio eletrônico está estagnado no patamar de 58% dos pagamentos feitos nas rodovias. Para implantar o modelo Ponto a Ponto de maneira ampla, a gestão Alckmin avalia que deve estar na casa dos 80%.
Por isso, os novos contratos de concessão de estradas paulistas estão sendo assinados com uma cláusula que dá desconto de 5% no pedágio ao motorista que passar usando o dispositivo eletrônico.
Os primeiros trechos que deverão ter desconto serão os que saem de Ribeirão Preto (a 313 km de SP) a Igaratá e a Bebedouro. A mudança será possível porque uma nova concessionária assumirá essas estradas em março de 2018.
Até o fim do ano que vem, o avanço dos descontos deve atingir estradas que saem de Ribeirão com destino a São Carlos, Araraquara, Franca e Santa Rita do Passa Quatro.
Para 2018 ainda está previsto o desconto no trecho norte do Rodoanel. O plano é expandir para toda a malha estadual, conforme forem assinados ou renovados os contratos.
Entre os benefícios listados estão a modernização do sistema, a redução da lentidão, a diminuição da emissão de poluentes derivado da queima de combustíveis e o aumento da segurança viária.
Segundo estimativas da Artesp, a cada carro que passa pelas cabines com cobrança manual, quatro passariam pelo sistema automático.
Mas relatos de falhas do sistema, que obrigam veículos a pararem subitamente, provocando risco de acidentes, são frequentes –como os vividos por Rosely Uehara.
Atualmente, quatro empresas estão habilitadas: Sem Parar, ConectCar, Move Mais e Veloe (autorizada a operar no setor há dois meses). Todas são obrigadas, segundo a Artesp (agência estadual que regula o setor), a oferecerem um plano sem adesão e sem mensalidade que seja compatível com as rodovias paulistas.
Editoria de Arte/Folhapress
DEMORA
Com o desconto, o governo do Estado tentará expandir o modelo Ponto a Ponto, testado nas estradas paulistas desde 2011. Naquele ano, um protótipo foi desenvolvido em estradas entre Sorocaba e Campinas, passando por Indaiatuba, e contou com a adesão voluntária de motoristas.
A partir do protótipo, outros três trechos foram implementados até 2014. Desde então, não houve avanços. Segundo a Artesp, os antigos contratos com as concessionárias amarram o modelo.
"O problema do Ponto a Ponto é que as rodovias não foram projetadas para esse modelo e os contratos não permitiam essa modalidade", afirma o diretor-geral da agência, Giovanni Pengue Filho.
ÁREA URBANA
A implantação de pedágios que flagram a passagem de motoristas por trechos cada vez menores é uma modernização do sistema aprovada por especialistas em transporte por trazer maior "justiça tarifária" nas estradas.
O receio, porém, é de que o excesso desses pontos de cobrança automática leve a uma sobretaxa em áreas urbanas adensadas ou onde os motoristas não tenham outra opção para se locomover.
Pelo sistema que está sendo incentivado pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), em vez de grandes praças de pedágio, as rodovias passarão a ter pórticos que automaticamente identificam a passagem do motorista.
O valor pago futuramente em meio eletrônico pelo motorista será proporcional à quantidade de pórticos por onde passar.
A principal vantagem, de acordo com o governo e especialistas ouvidos pela Folha, é a adoção de um modelo que cobre de maneira mais justa os motoristas em uma rodovia.
Hoje, um condutor que trafegue por 30 km em uma estrada pode não pagar pedágio, a depender do seu ponto de entrada e de saída da via. Enquanto isso, outro motorista, andando cerca de 5 km na mesma estrada, pode ser obrigado a passar por uma praça de pedágio e pagar uma tarifa cheia.
A lógica do modelo Ponto a Ponto é espalhar pelas rodovias sensores que identificam a passagem dos carros num intervalo menor do que a distância atual entre praças de pedágio. A partir disso, os motoristas são cobrados proporcionalmente ao seu deslocamento.
Cerca de 310 quilômetros de rodovias paulistas já têm o sistema implantado. Cada um dos pontos cobra o motorista de R$ 0,90 a R$ 5,80, a depender do local. Na prática, o sistema acaba pegando motoristas que usam a rodovia e que antes não eram tarifados.
O problema, segundo engenheiros de trânsito, é que a grande parte dos carros que hoje não pagam pedágio em rodovias trafega por áreas urbanas.
"Em muitos casos, a rodovia separa bairros do resto da cidade. Quando isso ocorre, geralmente não há alternativa para o motorista se locomover, senão pela estrada", analisa o consultor em transporte Flamínio Fichmann.
Para ele, nesses casos é preciso evitar que cidades cortadas por rodovias tenham sensores de cobrança. "Senão, o morador terá que pagar pedágio para comprar pão", diz.
A tese também é defendida pelo engenheiro e mestre em transporte Sergio Ejzenberg. "Na maioria das vezes, quem mora no entorno da rodovia é mais pobre. Se forem cobrados por cada deslocamento, o sistema que deveria trazer justiça tarifária se torna um instrumento de injustiça social."

Fonte: Folha de São Paulo. Link://folha.com/no1903582

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Mortes no trânsito têm maior alta mensal em SP desde o início do ano

O total de mortes em acidentes na capital paulista cresceu 23,9% em junho deste ano, em comparação com o mesmo período de 2016. Foram 83 mortes contra 67 no mesmo mês do ano passado, de acordo levantamento do Infosiga, banco de dados do governo estadual.
Segundo o balanço, o número de mortes entre homens é superior ao de mulheres. Enquanto foram registradas 70 vítimas do sexo masculino, a quantidade de mulheres foi de 13. Mais de 30% das vítimas que tiveram a idade revelada tinham entre 18 e 29 anos.
O atropelamento foi a causa de morte mais recorrente no trânsito da cidade, conforme o levantamento do órgão estadual. Foram ao menos 34 acidentes do tipo, mesmo número registrado em junho de 2016. A quantidade de vítimas que pilotavam ou estavam na garupa de motocicletas subiu 55% ao comparar com junho de 2016. Foram 31 mortes contra 20 do ano passado.
Bombeiros resgatam feridos de acidente na marginal Tietê, em 29 de maio, em São Paulo
Os dados apontam que é a maior alta mensal de mortes em acidentes desde que o prefeito João Doria (PSDB) assumiu a prefeitura, em janeiro de 2017. Na ocasião, também houve o aumento de velocidade das marginais. Somando os acidentes na Tietê e Pinheiros, já ocorreram 12 mortes de motociclistas neste ano.
Os dados apresentados nesta quarta (19) mostram que o número total de mortes registrou um aumento no acumulado entre janeiro e junho, em comparação com o mesmo período no ano passado. No primeiro semestre de 2017, foram 482 óbitos frente a 476 ocorridos nos seis primeiros meses de 2016.
MEDIDAS DE SEGURANÇA
A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), sob gestão João Doria (PSDB), diz que para aumentar a segurança no trânsito, adotou medidas, como o aumento no tempo de travessia de pedestres em semáforos, e restringiu a circula¬ção de motos na pista central da marginal Tietê. A pasta não quis comentar os dados do Infosiga, mas disse que "são uma contribuição para a análise dos acidentes ocorridos na cidade".
O Movimento Paulista de Segurança no Trânsito disse que trabalha para viabilizar ações de redução de acidentes. 

Fonte: Folha de São Paulo. Link://folha.com/no1902755

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Grupos de moto clube participam de ação contra o cerol em Suzano

Moto clube de Suzano promove campanha contra o cerol nas linhas de pipa. (Foto: Divulgação)
Motociclistas querem informar a população do risco do uso de linhas cortantes. Cidade proibiu soltura de pipas em parque, mesmo sem cortantes.
Grupos de moto clube saíram pelas ruas de Suzano na manhã deste sábado (22) para conscientizar a população sobre os riscos com o cerol. A ação tem apoio da Prefeitura, que proibiu soltar pipas dentro do Parque Max Feffer, mesmo sem cortantes.
Para conscientizar as pessoas que empinam pipas fora do parque, os grupos de moto clube se juntaram para repassar as informações. “Está muito violento e acontecendo muitos acidentes com linha de cerol e linha chilena. Os motociclistas são os mais atacados com isso juntamos os motos clubes da região para poder unir contra o cerol”, explica o organizador do evento, José Mauricio de Araújo.
O evento tem a participação dos membros dos quatro motos clubes da cidade.
Os motoqueiros saíram pelas ruas em comboio para mostrar a importância do respeito ao próximo. “A gente tem que pensar no próximo. A gente nunca sabe quem pode ser o próximo a ser acidentado”, completa José.
As denúncias podem ser feitas pelos telefones 4746-2344, 4745-2150 e também no 153.

Fonte: G1. Link: http://g1.globo.com/sp/mogi-das-cruzes-suzano/noticia/grupos-de-moto-clube-participam-de-acao-contra-o-cerol-em-suzano.ghtml

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Motoristas de aplicativos tipo Uber precisarão de curso, vistoria e placa de São Paulo

Novas regras publicadas pela gestão Doria nesta quarta valem para aplicativos de transporte alternativos aos táxis; prazo de adaptação é de 180 dias.

Tela do aplicativo de celular Uber em São Paulo, na região da Avenida Paulista (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Os motoristas de Uber e demais aplicativos que atuam na cidade de São Paulo precisarão ter placa da capital paulista, fazer uma inspeção anual, apresentar certidão de antecedentes criminais e não usar roupas esportivas e chinelos durante o trabalho.
As regras fazem parte de uma resolução publicada pela gestão João Doria nesta quarta-feira (12) no Diário Oficial e valem para todos os aplicativos que operam com tarifas diferenciadas em relação aos táxis, casos do Cabify, Lady Driver, e parte dos serviços da Easy Taxi e 99.
As novas regras criam a o cadastro municipal de condutores, regulamentando os requisitos mínimos exigidos de condutores que atuam na exploração econômica privada de transporte individual de passageiros por meio de operadoras de tecnologia de transporte credenciadas (OTTCs).
Além de documentos básicos, será exigida do motorista uma comprovação da realização de curso de treinamento de condutores de 16 horas de aula e o compromisso de que exercerá a atividade somente por meio dos aplicativos credenciados. Os motoristas não poderão camiseta esportiva e regata, calça esportiva ou de moletom, chinelos ou até mesmo jaquetas de times, associações e clubes.
O endurecimento das regras atende a pressões de taxistas, que acreditam que as exigências feitas à categoria agora também recairão sobre os motoristas do Uber, tornando o mercado mais justo.
As operadoras terão 180 dias para se adaptar às regras da resolução. Em caso de descumprimento, após este período, estarão sujeitas a sanções administrativas e multas.
Será negada a inscrição de quem já tenha sido condenado por crime doloso ou por culposo (neste caso, apenas se reincidente até três em período de quatro anos), e quem já tenha registro de distribuição criminal relativo a crimes de homicídio, roubo, estupro e corrupção de menores.
A resolução também exige a comprovação da contratação de seguro que cubra acidentes de passageiros e o seguro obrigatório (DPAV). Quem já foi condenado por crimes de trânsito de qualquer espécie também não poderá ser motorista por aplicativos, segundo a resolução.
Veículo
Quanto ao veículo, para a obtenção do certificado de segurança do veículo de aplicativo, exige-se idade máxima de até 5 anos de fabricação, apresentar certificado de licenciamento no município de São Paulo e certidão de inspeção, atendendo os requisitos de segurança veicular.
O carro terá que ter sempre o filtro de ar-condicionado limpo e o motorista se compromete a aspirar ao teto, o piso, porta-malas e interior do veículo.
A nova resolução complementa um decreto de maio de 2016 publicado pelo então prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que disciplinou o uso de aplicativos de carona e de transporte individual de passageiros na cidade de São Paulo.


Cabify, serviço de transporte alternativo que rivaliza com a Uber. (Foto: Divulgação/Cabify)

Cobrança por km
Em maio, a gestão João Doria (PSDB) reduziu as taxas que, pela legislação municipal, eles devem pagar à prefeitura para poder rodar na cidade. A taxa por km rodado, que é de R$ 0,10, agora só começará a subir quando a empresa rodar mais de 15 mil km em uma hora, somando todos os motoristas que estiverem trabalhando para o aplicativo. Pela regra do ano passado, a taxa subia para R$ 0,11 quando a empresa alcançava os 7,5 mil km em uma hora.
A norma determina ainda que o valor máximo será de R$ 0,36 por km apenas quando a empresa chegar a 75 mil km rodados em uma hora, valor mais barato que os R$ 0,40 que as empresas teriam que pagar para rodar a metade - a partir de 38 mil km, segundo a regra antiga.
O mercado de aplicativos foi regulado em maio do ano passado pelo então prefeito Fernando Haddad (PT). Em outubro, a prefeitura publicou uma resolução aumentando a taxa por km rodado de R$ 0,10 para até R$ 0,40. A justificativa dada por Haddad foi aumentar a concorrência entre as empresas taxando as que mais rodavam, especialmente o Uber, que seria o dono da maior fatia do mercado.

Tela de aplicativo Uber para transporte de passageiros (Foto: Jéssica Alves/G1)
Maior presença
A resolução da Secretaria de Mobilidade e Transportes de maio permitiu que as empresas de aplicativo pudessem rodam com 10 mil taxistas da cidade. A gestão Haddad havia estabelecido uma meta para permitir que elas rodassem o equivalente a 5 mil taxistas para evitar que a categoria sofresse uma concorrência predatória por parte das empresas de aplicativo.
Até maio, 38 mil taxistas atuam na cidade. Já o número de motoristas cadastrados para atuar pelos aplicativos de transporte particular era de 50 mil em fevereiro, segundo o prefeito João Doria informou na época.