terça-feira, 29 de agosto de 2017

Número de multas de trânsito cai 13% em SP, diz Prefeitura

Levantamento indica aumento no número de autuações por desrespeito à placa PARE em cruzamentos sem semáforo.

O número de multas de trânsito aplicadas na cidade de São Paulo caiu 13% nos cinco primeiros meses do ano em comparação com o mesmo período do ano passado, indica levantamento feito com base no Painel Mobilidade Segura, da Prefeitura.
Segundo o balanço, de janeiro a maio foram registradas 5.724.419 multas, contra 6.575.405 no mesmo período de 2016.
O levantamento aponta também diminuição nas multas registradas pelos radares: 4.315.522 nos primeiros cinco meses contra 5.175.822 no mesmo período de 2016 (queda de 16,6%).
Radar Pistola multa veículos em alta velocidade na Marginal Pinheiros
O secretário dos Transportes, Sérgio Avelleda, atribui as quedas nas multas registradas pelos radares a uma “melhor sinalização”. “Com motoristas mais bem orientados, segue-se na tendência de um cenário com condutores que respeitam cada vez mais a legislação", disse.

Placa PARE
Já as multas por desrespeito à placa de parada obrigatória em cruzamentos sem semáforo (a famosa placa “PARE”) saltaram 184% neste ano. Foram 6.856 infrações do tipo registradas de janeiro a maio de 2017, contra 2.412 no mesmo período do ano passado.
Considerada gravíssima, a infração rende multa de R$ 293,47, além de sete pontos na carteira nacional de habilitação (CNH).

Fonte: G1. Link: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/numero-de-multas-de-transito-caem-13-em-sp-diz-prefeitura.ghtml

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Ciclistas e pedestres puxam alta de mortes no trânsito na cidade de SP

Ciclista na ciclovia da Av. Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo

A cidade de São Paulo já acumula entre janeiro e julho deste ano 552 mortes no trânsito (ou 2,38 por dia). O número é cerca de 2% maior em relação ao mesmo período do ano passado. O número de ciclistas, pedestres e motociclistas mortos impulsionaram essa alta. Os dados são do Infosiga, do governo do Estado.
O número de ciclistas mortos na capital paulista aumentou 64% nos primeiros sete meses de 2017, a maior variação no período. As mortes, que saíram de 14 para 23, estão quase que totalmente fora do centro expandido (a exceção é a morte de um homem na avenida Indianópolis, em junho). Elas se espalham pelas nas zonas norte (8), leste (4) e sul (7) da cidade. O sistema do governo paulista não informa a localização de outras três mortes. Pelo menos duas delas, na avenida Imperador e na avenida do Contorno (ambas na zona leste) ocorreram em trechos com ciclovia, onde supostamente o ciclista deveria estar mais protegido de colisões.
Para William Cruz, criador do projeto Vá de Bike, que incentiva o uso seguro de bicicletas no trânsito, a resposta para o crescimento de mortes não está na mudança da estrutura cicloviária. Segundo ele, o clima de disputa entre bicicletas e motoristas pelo uso das ruas se acentuou ao longo de 2017. "Há um clima 'anticiclovia' desde a última eleição. A questão passou a ser muito partidária. E o ciclista que anda todos os dias nas ruas de São Paulo percebe maior tensão e maior ameaça dos motoristas", conta Cruz.
Segundo ele, o clima de tensão é aumentado com declarações do prefeito João Doria (PSDB) que relacionam a presença de ciclovias em frente a lojas da cidade com a subsistência dos comerciantes. Durante a campanha, o atual prefeito chegou a declarar sobre ciclovias pouco utilizadas, que "entre a garantia de vida que esse comércio varejista dá a milhares de famílias e uma ciclovia que não é utilizada por ninguém", ele optaria pelas famílias dos comerciantes.
PEDESTRES E MOTOS
O número de mortes de pedestres também cresceu em São Paulo em 2017. O aumento foi de 19%, variando de 208 para 248 mortes no período. Os pedestres são as vítimas mais frequentes do trânsito paulistano e representam 45% das mortes de 2017. Diferente dos ciclistas, as mortes de pedestres estão espalhadas por toda a cidade, incluindo o centro da cidade.
"O pedestre é vítima de todo mundo no trânsito, é o mais exposto. Não tem travessia segura, não tem tempo semafórico adequado", comenta o especialista em segurança em trânsito Horácio Figueira.
O segundo maior perfil de vítimas do trânsito paulistano são os motoqueiros, que também registrou aumento de mortalidade em 2017. As 189 mortes de motociclistas neste ano superam em 10% as ocorridas em 2016. As mortes ocorrem prioritariamente no entorno do centro expandido. De acordo com especialistas, esse fato comprova que a fiscalização da Polícia Militar e da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) não deve ser centralizada.
Segundo Horário Figueira, o aumento de mortes de condutores de motos na maioria das vezes resulta do uso inadequado do veículo. "Ainda que as motos fossem guiadas por monges budistas, as motos colocariam seus condutores em exposição ao risco, já que é um veículo que não oferece proteção. Imagine se, em vez de monges, colocarmos sobre as motos condutores mal preparados e com a noção de que têm que cumprir seus trajetos de maneira urgente", analisa. Horácio aponta ainda que, apesar da capital paulista ter 14% da frota de motos do Estado, tem 44% dos acidentes fatais com esse tipo de veículo.
O aumento de cerca de 2% das mortes na capital paulista estão na contramão dos número do Estado de São Paulo, onde houve redução de cerca de 2%. Apesar da ligeira melhora, o Estado de São Paulo também viu crescer o número de mortes de motociclistas e de pedestres, 13% e 8% respectivamente.
"Há de se ter vontade política para reverter o quadro atual, que é o mesmo em todo o país. Uma sugestão é parar de mandar agentes de trânsito para fiscalizar zona-azul e guinchar carros, deixar de mandar policiais militares para operações delegadas [que fiscalizam comércio ambulante] e para jogos de futebol. Em vez disso, focar em ações que possam verdadeiramente reduzir o número de mortos na cidade. Fiscalizar infrações tão comuns nas ruas de São Paulo e que não são fiscalizadas", analisa Horácio. "Enquanto políticos e gestores de transito do país estiverem preocupados em não incomodar seus eleitores, teremos mortos e mutilados, e não multados".
Sobre o aumento de mortes no trânsito paulistano, a CET (responsável por gerenciar o trânsito da capital paulista) disse monitorar permanentemente a capital e que está implantando medidas para aumentar a segurança viária. Apesar disso, a CET disse que usa os dados do Infosiga, do governo Estadual, apenas como um dos dados disponíveis para suas análises.

Fonte: Folha de São Paulo. Link: //folha.com/no1911777

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Taxistas protestam contra liberação da Uber e Cabify e fazem corridas com 'táxi solidário' em Curitiba

Trabalhadores dizem que a concorrência dos aplicativos reduziu em até 50% o rendimento da categoria. Corridas exigem quatro passageiros por viagem e custam R$ 5.
Dezenas de taxistas protestam contra a liberação dos aplicativos de transporte de passageiros Uber e Cabify, em Curitiba, desde sexta-feira (21). Os trabalhadores dizem que a concorrência reduziu em até 50% o rendimento da categoria e que, por conta disso, eles decidiram fazer corridas nos mesmos trajetos de alguns ônibus cobrando R$ 5 por passageiro.
O preço é um pouco maior em relação ao da passagem dos coletivos na capital, que custa R$ 4,25. Atualmente, três mil taxistas atuam na capital.
As corridas devem ter quatro passageiros em cada carro por viagem, e os trajetos ainda não estão definidos formalmente, segundo o presidente da União dos Taxistas de Curitiba (UTC). Segundo ele, os veículos partem de pontos estratégicos da cidade onde há maior movimento de passageiros como as praças Rui Barbosa e Carlos Gomes, por exemplo.
Nesta segunda-feira (21), a categoria deve se reunir para definir trajetos fixos para as corridas.
A Urbs, empresa que gerencia os táxis da capital, disse que está monitorando o protesto e que até a manhã desta segunda (21) não havia constatado irregularidades que justifiquem alguma medida administrativa.
Liberação da Uber e Cabify
Na quarta-feira (16), a prefeitura publicou mais algumas regras para a circulação dos aplicativos de transporte de passageiros na cidade. Agora, as empresas terão que repassar, dependendo da quilometragem rodada, até R$ 0,08 para a administração municipal.
Para chegar aos valores, a prefeitura explicou que fez um cálculo de uma média diária de 150 quilômetros rodados por 12 mil motoristas cadastrados nas Administradoras de Tecnologia em Transporte Compartilhado (ATTCs) para chegar ao impacto causado na infraestrutura da cidade.
Os 12 mil veículos, ainda conforme a prefeitura, representam 0,82% do total da frota de veículos na cidade.

Fonte: G1. Link: http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/taxistas-protestam-contra-liberacao-da-uber-e-cabify-e-fazem-corridas-com-taxi-solidario.ghtml

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Custo de carro autônomo preocupa grandes empresas e fabricantes

BMW e Daimler, os maiores fabricantes mundiais de carros de luxo, anunciaram alianças com fornecedores e exaltaram as virtudes que as grandes equipes de engenharia assim formadas teriam para o desenvolvimento de carros autônomo.
Mas outro motivo para esses acordos, segundo executivos e especialistas do setor, é a preocupação de que os carros robotizados talvez não cumpram as expectativas de lucro que causaram a corrida inicial de investimentos.
As montadoras estão cada vez mais interessadas em abrir mão da propriedade direta dos futuros sistemas autoguiados e em distribuir de maneira mais ampla a carga e o risco do investimento.
A tendência representa uma clara mudança de estratégia. Até 2016, a maioria dos fabricantes seguiam estratégias independentes, cujo foco era superar os desafios de engenharia que o desenvolvimento de um carro autoguiado envolve, desconsiderando os desafios de negócios.

Carro pode andar a no máximo 40 km/h no período de testes

"Ainda que o mercado seja substancial, ele talvez não mereça a escala de investimento que atualmente está recebendo", disse um conselheiro de uma das montadoras alemãs que pediu que seu nome não fosse mencionado.
Dezenas de empresas —de montadoras a grupos de tecnologia como Google e Uber— estão disputando um mercado que, segundo a consultoria Frost & Sullivan, responderá por 10% a 15% dos veículos em circulação na Europa em 2030. E alguém certamente terá de sair perdendo.
"É impossível para mim acreditar em que existirão 50 produtores bem-sucedidos de veículos autoguiados", afirmou John Hoffecker, vice-presidente do conselho da consultoria AlixPartners.
Em 2016, a BMW se tornou a primeira grande montadora a abandonar o desenvolvimento solo de carros autoguiados em favor de uma parceria com a fabricante de chips Intel e com a produtora de câmeras e software Mobileye.
"Conversando com outras empresas, você lista os desafios tecnológicos, os aspectos de segurança, e chega à conclusão de que muitos de nós estamos nadando juntos no lodo", disse Klaus Büttner, vice-presidente da BMW.
A Mercedes, da Daimler, veio a combinar seus esforços aos da fabricante de autopeças Bosch, três meses atrás, e a japonesa Honda anunciou estar aberta a alianças na área de carros autoguiados.
Mesmo empresas de tecnologia, donas de recursos generosos, estão se aliando. A Lyft, rival da Uber, e a Waymo, unidade de carros autoguiados da Alphabet (dona da Google), uniram forças em maio.
Klaus Fröhlich, membro do conselho da BMW, disse que a empresa provavelmente perderia dinheiro com sua primeira linha de veículos completamente autoguiados, como fez com a primeira geração de carros elétricos. Mas desenvolver a tecnologia continua a ser uma necessidade, para manter relevância como montadora de automóveis.
"Mas se for possível dividir o peso por meio de uma plataforma, não tenho coisa alguma contra isso."
TÁXI SEM MOTORISTA
Um dos mercados financeiramente mais promissores será o dos táxis sem motoristas, que um dia poderão substituir os táxis convencionais e parte dos transportes públicos, nas grandes cidades.
Os táxis robotizados devem estimular o mercado mais amplo de carros compartilhados e serviços de carros, que movimentou US$ 53 bilhões em 2016 e pode girar US$ 2 trilhões em 2030, segundo a consultoria McKinsey.
Ford e General Motors estão investindo pelo menos US$ 2 bilhões cada no desenvolvimento de veículos autoguiados para frotas urbanas de transporte, que começarão a circular em 2021, concorrendo com empresas existentes e start-ups.
MAIS CUSTOS
O surgimento de alianças vem em um momento no qual as autoridades regulatórias estão pressionando pela criação de padrões para a nova tecnologia, que tem o potencial de reduzir os acidentes de trânsito em até 90%, segundo a Boston Consulting Group.
Especialistas setoriais dizem que essa padronização pode dificultar ainda mais o desenvolvimento de um produto que venha a se destacar, o que coloca em questão de modo ainda mais direto as estratégias independentes e dispendiosas de desenvolvimento de tecnologias.

Fonte: Folha de São Paulo. Link: //folha.com/no1908316

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Pedágio eletrônico terá bônus para difundir novo modelo de cobrança

Pedágio na Imigrantes, que leva ao litoral sul paulista, onde há cabines de
 cobrança automática
Quando dirige seu carro pela rodovia dos Bandeirantes, saindo de São Paulo em direção a Indaiatuba (a 98 km da capital), Rosely Uehara, 58, sempre fica tensa no quilometro 26 da via. "Vai abrir ou não vai? Vai abrir ou não vai?", pensa. Diante da recusa da cancela do pedágio eletrônico em liberar sua passagem, Rosely admite: "Xingo muito! Pago sempre o meu plano em dia, e o pedágio não reconhece meu dispositivo."
Já para o motorista da Uber Marlon Luz, 36, que leva passageiros entre São Paulo e Barueri, o uso do sistema automático nos pedágios é essencial. "Se cada vez que eu passar tiver que parar nas cabines manuais, é tempo e dinheiro que eu perco."
Independentemente da experiência dos motoristas, o pagamento eletrônico de pedágios deve ficar cada vez mais presente. Incentivar este modelo, inclusive dando desconto, é uma das estratégias do governo Geraldo Alckmin (PSDB) para difundir o chamado pedágio Ponto a Ponto.
Na prática, futuramente as concessionárias poderão ampliar postos de controle de veículos ao longo de uma estrada (ou em suas entradas) e cobrar de maneira mais específica pelo trecho de deslocamento dos motoristas. A adoção do modelo é controversa, principalmente em manchas urbanas.
BÔNUS
A difusão de praças de pedágio e os valores cobrados –chegam a R$ 25,60 para carros de passeio na Anchieta e Imigrantes– se tornaram pedra no sapato de gestões tucanas em São Paulo nas últimas duas décadas, alvo de desgaste em sucessivas eleições.
O uso do sistema automático de cobrança –implantado em São Paulo em 2000– passou a ser em 2011 a forma predominante de pagamento de pedágio no Estado.
Desde 2014, porém, o meio eletrônico está estagnado no patamar de 58% dos pagamentos feitos nas rodovias. Para implantar o modelo Ponto a Ponto de maneira ampla, a gestão Alckmin avalia que deve estar na casa dos 80%.
Por isso, os novos contratos de concessão de estradas paulistas estão sendo assinados com uma cláusula que dá desconto de 5% no pedágio ao motorista que passar usando o dispositivo eletrônico.
Os primeiros trechos que deverão ter desconto serão os que saem de Ribeirão Preto (a 313 km de SP) a Igaratá e a Bebedouro. A mudança será possível porque uma nova concessionária assumirá essas estradas em março de 2018.
Até o fim do ano que vem, o avanço dos descontos deve atingir estradas que saem de Ribeirão com destino a São Carlos, Araraquara, Franca e Santa Rita do Passa Quatro.
Para 2018 ainda está previsto o desconto no trecho norte do Rodoanel. O plano é expandir para toda a malha estadual, conforme forem assinados ou renovados os contratos.
Entre os benefícios listados estão a modernização do sistema, a redução da lentidão, a diminuição da emissão de poluentes derivado da queima de combustíveis e o aumento da segurança viária.
Segundo estimativas da Artesp, a cada carro que passa pelas cabines com cobrança manual, quatro passariam pelo sistema automático.
Mas relatos de falhas do sistema, que obrigam veículos a pararem subitamente, provocando risco de acidentes, são frequentes –como os vividos por Rosely Uehara.
Atualmente, quatro empresas estão habilitadas: Sem Parar, ConectCar, Move Mais e Veloe (autorizada a operar no setor há dois meses). Todas são obrigadas, segundo a Artesp (agência estadual que regula o setor), a oferecerem um plano sem adesão e sem mensalidade que seja compatível com as rodovias paulistas.
Editoria de Arte/Folhapress
DEMORA
Com o desconto, o governo do Estado tentará expandir o modelo Ponto a Ponto, testado nas estradas paulistas desde 2011. Naquele ano, um protótipo foi desenvolvido em estradas entre Sorocaba e Campinas, passando por Indaiatuba, e contou com a adesão voluntária de motoristas.
A partir do protótipo, outros três trechos foram implementados até 2014. Desde então, não houve avanços. Segundo a Artesp, os antigos contratos com as concessionárias amarram o modelo.
"O problema do Ponto a Ponto é que as rodovias não foram projetadas para esse modelo e os contratos não permitiam essa modalidade", afirma o diretor-geral da agência, Giovanni Pengue Filho.
ÁREA URBANA
A implantação de pedágios que flagram a passagem de motoristas por trechos cada vez menores é uma modernização do sistema aprovada por especialistas em transporte por trazer maior "justiça tarifária" nas estradas.
O receio, porém, é de que o excesso desses pontos de cobrança automática leve a uma sobretaxa em áreas urbanas adensadas ou onde os motoristas não tenham outra opção para se locomover.
Pelo sistema que está sendo incentivado pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), em vez de grandes praças de pedágio, as rodovias passarão a ter pórticos que automaticamente identificam a passagem do motorista.
O valor pago futuramente em meio eletrônico pelo motorista será proporcional à quantidade de pórticos por onde passar.
A principal vantagem, de acordo com o governo e especialistas ouvidos pela Folha, é a adoção de um modelo que cobre de maneira mais justa os motoristas em uma rodovia.
Hoje, um condutor que trafegue por 30 km em uma estrada pode não pagar pedágio, a depender do seu ponto de entrada e de saída da via. Enquanto isso, outro motorista, andando cerca de 5 km na mesma estrada, pode ser obrigado a passar por uma praça de pedágio e pagar uma tarifa cheia.
A lógica do modelo Ponto a Ponto é espalhar pelas rodovias sensores que identificam a passagem dos carros num intervalo menor do que a distância atual entre praças de pedágio. A partir disso, os motoristas são cobrados proporcionalmente ao seu deslocamento.
Cerca de 310 quilômetros de rodovias paulistas já têm o sistema implantado. Cada um dos pontos cobra o motorista de R$ 0,90 a R$ 5,80, a depender do local. Na prática, o sistema acaba pegando motoristas que usam a rodovia e que antes não eram tarifados.
O problema, segundo engenheiros de trânsito, é que a grande parte dos carros que hoje não pagam pedágio em rodovias trafega por áreas urbanas.
"Em muitos casos, a rodovia separa bairros do resto da cidade. Quando isso ocorre, geralmente não há alternativa para o motorista se locomover, senão pela estrada", analisa o consultor em transporte Flamínio Fichmann.
Para ele, nesses casos é preciso evitar que cidades cortadas por rodovias tenham sensores de cobrança. "Senão, o morador terá que pagar pedágio para comprar pão", diz.
A tese também é defendida pelo engenheiro e mestre em transporte Sergio Ejzenberg. "Na maioria das vezes, quem mora no entorno da rodovia é mais pobre. Se forem cobrados por cada deslocamento, o sistema que deveria trazer justiça tarifária se torna um instrumento de injustiça social."

Fonte: Folha de São Paulo. Link://folha.com/no1903582

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Mortes no trânsito têm maior alta mensal em SP desde o início do ano

O total de mortes em acidentes na capital paulista cresceu 23,9% em junho deste ano, em comparação com o mesmo período de 2016. Foram 83 mortes contra 67 no mesmo mês do ano passado, de acordo levantamento do Infosiga, banco de dados do governo estadual.
Segundo o balanço, o número de mortes entre homens é superior ao de mulheres. Enquanto foram registradas 70 vítimas do sexo masculino, a quantidade de mulheres foi de 13. Mais de 30% das vítimas que tiveram a idade revelada tinham entre 18 e 29 anos.
O atropelamento foi a causa de morte mais recorrente no trânsito da cidade, conforme o levantamento do órgão estadual. Foram ao menos 34 acidentes do tipo, mesmo número registrado em junho de 2016. A quantidade de vítimas que pilotavam ou estavam na garupa de motocicletas subiu 55% ao comparar com junho de 2016. Foram 31 mortes contra 20 do ano passado.
Bombeiros resgatam feridos de acidente na marginal Tietê, em 29 de maio, em São Paulo
Os dados apontam que é a maior alta mensal de mortes em acidentes desde que o prefeito João Doria (PSDB) assumiu a prefeitura, em janeiro de 2017. Na ocasião, também houve o aumento de velocidade das marginais. Somando os acidentes na Tietê e Pinheiros, já ocorreram 12 mortes de motociclistas neste ano.
Os dados apresentados nesta quarta (19) mostram que o número total de mortes registrou um aumento no acumulado entre janeiro e junho, em comparação com o mesmo período no ano passado. No primeiro semestre de 2017, foram 482 óbitos frente a 476 ocorridos nos seis primeiros meses de 2016.
MEDIDAS DE SEGURANÇA
A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), sob gestão João Doria (PSDB), diz que para aumentar a segurança no trânsito, adotou medidas, como o aumento no tempo de travessia de pedestres em semáforos, e restringiu a circula¬ção de motos na pista central da marginal Tietê. A pasta não quis comentar os dados do Infosiga, mas disse que "são uma contribuição para a análise dos acidentes ocorridos na cidade".
O Movimento Paulista de Segurança no Trânsito disse que trabalha para viabilizar ações de redução de acidentes. 

Fonte: Folha de São Paulo. Link://folha.com/no1902755