segunda-feira, 4 de junho de 2018

Trânsito no horário de pico segue em queda na cidade de São Paulo

Tráfego na marginal Pinheiros, no sentido Castelo Branco
Crise seria principal causa para recuo nos índices pelo terceiro ano seguido

O trânsito melhorou pelo terceiro ano consecutivo na cidade de São Paulo nos chamados horários de pico, a despeito do contínuo crescimento da frota de veículos.
A média dos congestionamentos no período da manhã caiu dos 81 km verificados em 2016 para 66 km no ano passado, de acordo com as medições da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Uma redução de 19%. À tarde, a queda no índice de lentidão foi ainda maior, de 21% (109 km para 86 km).
Os dados são ainda mais relevantes se comparados com o ano de 2014, quando a capital paulista teve, em média, 30 km a mais de engarrafamento das 7h às 10h, e 55 km a mais das 17h às 20h.

Crise
Mas o que explica essa redução grande no trânsito se, de dezembro de 2014 para cá, a frota de veículos aumentou em 715 mil veículos (9%)? “A crise econômica diminuiu os congestionamentos”, afirma o arquiteto e urbanista Flamínio Fichmann, consultor na área de transportes.
O país enfrentou nos últimos anos a maior recessão de sua história. O desemprego explodiu na região metropolitana de São Paulo, passando de 11% (em 2014) para os 18% verificados em dezembro do ano passado.Mas o que explica essa redução grande no trânsito se, de dezembro de 2014 para cá, a frota de veículos aumentou em 715 mil veículos (9%)? “A crise econômica diminuiu os congestionamentos”, afirma o arquiteto e urbanista Flamínio Fichmann, consultor na área de transportes.
O país enfrentou nos últimos anos a maior recessão de sua história. O desemprego explodiu na região metropolitana de São Paulo, passando de 11% (em 2014) para os 18% verificados em dezembro do ano passado.
Fichmann explica que a principal motivação para as pessoas deixarem suas casas é justamente o trabalho —46% das viagens ocorrem por essa razão. A segunda é a educação, com 32% (segundo dados de pesquisa de mobilidade feita em 2012 pelo Metrô de SP). “Com menos gente empregada, houve uma queda acentuada na necessidade de deslocamento”, diz o consultor.
O engenheiro Ailton Brasiliense Pires, ex-comandante da CET e atual presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), tem a mesma opinião. “O que mais pesa, no final das contas, é a economia”, afirma.

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O consultor Fichmann não cita a mudança na CET, mas afirma que outros fatores estão influenciando a melhora do trânsito, além da crise.
“Com a disseminação das novas tecnologias, está caindo a demanda por viagens”, afirma, mencionando por exemplo a viabilidade de se realizar reuniões à distância e fazer compras pela internet.
Segundo ele, aplicativos que informam o melhor caminho ao motorista também ajudam, embora tenham um efeito colateral indesejado. “Despejam veículos nos chamados sistemas viários locais, que não foram capacitados para receber esse aumento do tráfego”, afirma.

Fonte: Folha de São Paulo

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